domingo, 29 de maio de 2016

DON´T PANIC: MOCHILEIRA DAS GALÁXIAS E ESTUPRO EM LEO FELIS

Muito comovida com os acontecimentos recentes, resolvi me dar um tempo e um espaço. Peguei minha mochila e a velha toalha encardida, e marquei de encontrar meu grande amigo Douglas Adams aqui bem pertinho bem de nós, no restaurante do fim do universo[1]. Para quem não sabe, nós somos e estamos na periferia mais periférica de todo o universo, e não apenas daquele que é conhecido. Alguns dizem que é por isso que os terráqueos tratam os mais fracos como periféricos; é uma sindrome de reprodução cíclica de uma condição inalienável: somos a periferia do mundo, querendo que o outro seja sempre mais distante e insignificante do que nós mesmos sempre seremos.
Não, nós não explodimos[2], e isso é uma pena.
Atualizei o Douglas sobre as últimas notícias politicas e sociais, e ele com seu pensamento rápido, típico de um físico e comediante inglês me disse: nem mesmo Zaphod Beeblebox seria tão crápula quanto o golpista do país de vocês. _ Pior que é verdade, respondi.
 _Quanto ao STF, você tem certeza de que não são Vogons disfarçados? 
_ Temo que não. São apenas humanos sórdidos mesmo.
_ Mas poderiam ser Vogons, ele insistiu.
 _É, poderiam ser Vogons, mas talvez sejam até piores. – Acenei com a cabeça.
_Eu vou te levar em planeta muito especial, você vai gostar. Eles também evoluíram de um mamífero simples e doces, como nós.
_ Muito animador... eu disse.  E eles também se metamorfosearam em estupradores de crianças, como nós?
_ Sim. Ele afirmou, com aquele sotaque sarcástico.
_Por favor, não seja cínico, eu tenho aguentado demais e...
_ Mas a situação agora é outra. Eles não são um planetinha medíocre de 60 milhões de anos, já se passaram lá mais de 300 milhões de eras... Eu quero te dar esperança, minha amiga viajante.

Pegamos carona em um coletivo estelar e escolar. Foram alguns anos-luz de gritaria na minha cabeça, já atordoada por uma dose do melhor drinque do universo. Minha melancolia era total. Eu só pensava se aqueles seres infantis, de formato e solidez indefinida, meio gás e meio luz, também eram sujeitos à violência de gênero. Foi então que eu soube que quando adultos, eles se reproduzem por solução aquosa, e que, portanto, não tinham sexos díspares.  – Esses sim tiveram a sorte de evoluir de algo fantástico, pensei. Mal fiz essa avaliação e já senti a pressão tenebrosa da dobra do espaço-tempo. Sempre me deu ânsia de vômito, mas eu nunca vomitei.

Quando pisei em solo firme a sensação de vertigem passou completamente. Fiquei maravilhada! O mesmo ar fluído de respirar, o vento, que delícia um planeta onde venta! Barulhos absolutamente comuns para meu simples aparelho auditivo – se bem que com muitos grunhidos – pelas enormes árvores que eu vi, podia pressentir que havia até mesmo água por ali. Pus um peixinho-tradutor dentro da minha orelha, e segui meu amigo lunático.
Era interessante que nenhuma via era plana, todas as ruas eram intercaladas como prateleiras, umas sob as outras. Não vi veículos sob o solo, mas de longe, avistei uma frota que voava abaixo da atmosfera. Divagando entre as características que se aproximavam de terra natal e as diferenças exóticas, mal percebi quando uma voz sibilante e feminina nos deu as boas vindas:
_Sssejam bem-vindas, todas vocês!
Todas vocês eramos: eu e o Douglas. Curioso ela usar o feminino, já que estavamos em uma paridade de gênero e o usual é que o tratamento masculino seja preponderante. Apertei meu meu peixinho dentro da orelha; devia estar com defeito de tradução.
Porém, mais curiosa era a figura que nos recebia. Completamente nua, havia em nossa frente uma gata de quase dois metros de altura, apoiada em apenas duas patas que,  com seu perfeito polegar opositor segurava algo que eu entendi ser uma arma grande e espinhosa.
_Sssssigam-me, por favor. Milady já asss esspera.
Fomos recebidos por outra felina dadivosa. Um pouco mais baixa que anterior, mas não muito, tinha o pelo cinza azulado, que parecia um veludo molhado antiquíssimo,  inscrutrado com duas esmeraldas verde claro, que eram os olhos da gata espetacular.
_Você é a terráquea que o Doug falou. Ele me contou tudo, macaquinha. Acho tão engraçççado vocêsss terem evoluído do macaco! Só podia dar em comédia mesmo. Macacos são seres circenses por natureza. Você, aí que bonitinha! Tem a mesma carinha da minha pet de estimação, assim, branquinha, parece um mico-leão-sem-rabo. _Meninasss! – se dirigiu a outras duas gatonas que estavam na porta. – Tragam a Sissi aqui para ela ver se não é i-gual-zzzi-nha a ela! – Você vai se sentir de frente a um espelho em miniatura, me garantiu.

Será que ela sabia que eu tenho dois gatos de estimação e por isso me  afrontava com a humilhação de ver um pet que tinha exatamente a minha cara? Essssa mulherzzzinha conhecia a realidade da Terra? Onde muitos tementes a uma espécie de inteligência divina que chamam de deus, acham um absurdo quando a ciência diz que evoluímos do macaco? Ela tinha ciência de que chamar alguém de macaco no meu planeta  é uma ofensa cruel e dolorosa, que implica em séculos de sofrimento humano? E que muitos terráqueos prepotentes se acreditam distantes de sua origem evolutiva somente porque têm a pele clara?

_SSSeja benvinda a nosso humilde planeta, terraqueazzzinha! Doug, pode sentar aqui no chão ao meu lado. Terráquea, sente-se nessssa chaissse, por favor.

Doug era o Douglas? Quanta intimidade, pensei. Típico de gata assanhada. Porque o Douglas se sentaria no chão? Realmente, a parte mais intrigante das viagens intergaláticas são as culturas completamente antagônicas, pensei, mas me calei.

_Eu me chamo Missy e sou a presidenta desse planeta.
_ Oh, que coincidência, você é a presidenta do país, a gente também tem, ou tinha uma...
_Do paíss não bobinha, do planeta, me ressspeite, macaquinha!” – e riu, leve.
_É que... eu não entendo... como vocês fazem eleição de um planeta inteiro, senhora, excelentíssima, quer dizer, sua excelência... putz me perdi... Dona Missy... é que... (Anúbis, não me leve! Bastet, Deusas Egípcias, me ajudem! Ela vai descobrir que sou do signo de peixesss e vai me devorar, socorro, eu nunca estive na frente de uma presidenta de planeta!)
_Calma, babuinazinha sem pelos. Meu planeta já foi muito parecido com seu.
_ Como? – Não perdi tempo. Sabia que o Douglas tinha me levado para aquele planeta-prateleira por algum motivo. Fiz algumas conexões rápidas. Era sobre a política? Era sobre os animais?
_Nossos machosss tem espinhosss no pênisss, vocccê sssabia?

Sabia. Era sobre estupro. Ai, não, era isso! Era sobre estupro! Sim, gatos estupram gatas, pegam à força. Se não conseguem penetrar a vagina, penetram o ânus. Rasgam suas vulvas quando tiram os pênis espinhosos com violência. Lembrei-me dos gritos sob os telhados...
_Quando estávamos no período histórico que vocês estão, a pré-história dos primeiros 5 mil anos, asss coisasss eram muito diferentess por aqui... Vou passar um holograma explicativo ali naquela sssalinha. E aí você tira as suas dúvidasss. Mas que macaquinha mais bonitinha! Tem certeza que você não quer um piresinho de leite? Macaquinhos adoram leite!

Agradeci explicando que macacos adultos não tomam leite, e fui ver o holograma. Eles, ou melhor elas, são bem competentes no que tange a sétima arte. No início da era delas, era tudo bem parecido com a gente aquilo que nós chamamos de pré-história. Os caras puxavam as gatas pelos cabelos, arrastavam para as cavernas e abusavam da força física para copular. Com o passar do programa fui percebendo algumas diferenças fundamentais. As mamães gatas não ficavam nas cavernas cuidando dos filhotes. Ensinavam cada qual a lamber seu próprio corpo, e assim que os bichanos desmamavam, elas iam embora. Nada de cuidado com o lar. Nada limpar o chão, de panos, de fogos, de alimentos na boca. Cada bicho aprendia a chupar a sujeira do próprio pêlo e se virava. Morriam mais machos, nem é preciso dizer. Mas ainda que alguns filhotes morressem, aqueles que sobreviviam eram mais ágeis no ataque às presas, condição absolutamente necessária para ser um gato ou gata pré-histórico. Em especial as fêmeas se viravam... Assim, a população feminina desse grande gatil se constituiu bem maior que a masculina. Começam a surgir as cidades verticais, os arados para terra, a canalização das águas... Talvez por conta da maioria feminina, nesse momento a força física não imperou sobre a inteligência. Havia gatas e gatos nas mais diversas funções. De caçar ratos até governar. Vi gatas e gatos em diversas funções sociais e políticas. Ninguém ficou responsável pelo cuidado do lar. Mesmo assim, ainda houve séculos de estupros.

Gatos espreitados nas esquinas, pegando gatinhas jovens bem indefesas, gatos que em bandos “amassavam” uma única gata. As vezes mais de 30. Foi então que se deu o que elas chamaram de “Revolução daz’unhass”. Num determinado momento dessa longa antiguidade as gatas perceberam a força de suas unhas e dentes. Em um motim popular, na maior cidade do planeta se iniciou a revolta que rapidamente se espalhou. Gatas de todas as cores e tamanhos passaram a se engalfinhar contra os machos. Metiam-lhes az’unhas na cara, nas pernas e principalmente no escrotos. Surgem os movimentos “Furar bolasss” e “Garras Felinistas”. As Felinistas (realmente) Radicais inventaram um dispositivo digno do pior pastor cristão: um porrete cheio de espinhos, como um falo felino, mas um tanto quanto maior. Em grupos, elas passaram não apenas a se defender, mas a atacarem os machos. Enquanto elas apenas se defenderam, os estupros continuaram. Quando elas mudaram de estratégia, a coisa toda se modificou. Muito sangue foi derramado, é verdade. A natalidade decresceu; deu pena ver os filhotinhos fepuldos minguando nas ruas. Mas segundo as historiadoras, os motins populares ocorreram por pouco tempo... cerca de 2030 anos, apenas!

Particularmente, eu não acredito que essa seja a solução para o nosso mundo, o dos macacos. Os felinos, e principalmente as felinas, são predadores natos, exímios caçadores, correm, saltam alturas. Eu entendi o ponto do Douglas e da Missy, mas acho que a violência num planeta de macacos pode virar apenas uma palhaçada sombria. Pois os gatos são muito mais inteligentes que nós, e, pelo que percebi, em um determinado momento eles deixaram de se atacar e passaram a fazer o que de melhor sabem, que é dormir. Essa é a segunda parte da história deles. É a tal da “Revolução Ronronástica” que durou por mais dois mil anos.

Desde o príncipio do holograma, nenhuma gata ou gato tentou impor espiritualidade uns aos demais bichanos. Elas e eles nasciam naturalmente ambíguos, violentos, e ao mesmo tempo pacifistas. Espiritualistas sem pressa. Essa revolução porterior as chacinas daz’unhas, me pareceu um período de yoga e terapia coletivas, sem que ninguém dissesse quem era, ou o que era deus, e também sem erguerem uma igreja sequer. Foi assim que o planeta ressurgiu: dos escombros das lutas por direitos para as fêmeas.
O período de vínculo individual de cada gato e gato com seu interior criador gerou aquele sentimento de acolhimento que só os bichanos conhecem. Voltaram a namorar com gentileza, a rezar com o coração, e a construir sem arranhar. Pois, pensei, era possível então?

Sai da sala de holograma atordoada e um pouco triste. Estava difícil conter as lágrimas. Nunca seríamos felinos. Somos macacos que fazem macaquices cruéis para nos divertimos as custas dos outros. Missy e Douglas estavam deitados gatamente um sobre o outro fazendo ronron. As guardiãs brincavam com bolinhas de lã.

_Vocccê entendeu, macaquinha? Também fomos violentasss, e hoje somosss apenas pazzz. Tenha esssperançasss...
_Excelentíssima senhora Missy, eu compreendi sua lição, tanto de luta quanto de paz. – as lágrimas rolavam sem que eu pudesse me controlar.
_O miquinha-adorada, venha aqui que vou fazer pãozinho na sua barriga. Não fique assim. Vai passssssar...
Fiquei algumas horas naquela paz felina, recebendo os cuidados régios que só os descendentes de leoas sabem merecer. Mais calma, pude refletir sobre tudo o que aconteceu no planeta Leo Felis e no planeta Terra também. Nós precisamos de uma revolução feminina e espiritual, falei. Douglas concordou comigo, e decidimos pegar a toalha de volta para a casa.

Mas antes, eu indagnei uma das guardiãs:
_Onde é a tolalete, miss?
_ É por ali, sssenhora.

Como eu não adivinhei?

No cubículo não havia nenhuma toalha ou lencinho. Logo que pisei, senti a areia macia e bem cuidada sobre meus pés.
A resposta, vocês sabem, é sempre 42.




[1] Esse texto é livremente inspirado no Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, e é também uma tentativa de prestar homenagem a meu escritor de ficção científica favorito, ainda que sem seu brilhantismo e conhecimentos acerca do Universo.
[2] Para maiores informações, conf. no volume 1: Guia do mochileiro nas galáxias.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Ovo de Platelminto

Quase fiz um novo blog para este post, já estava decidida mesmo. Mas percebi que é aqui que ele deve ficar. Para marcar, para que eu não me esqueça jamais: obssessão e compulsão, dê uma segunda lida.

Eu alimento essas flores inexistentes há pouco mais de um ano, creio eu. Dou à elas pouca luz, elas tem terra, eu jogo água, e isso aqui é uma verdadeira lama. Foi o que percebi revendo os´posts do ano. Muito choro, muita dor, dores reais, é fato. 2011 foi um ano ruim, marcado por muita desilusão. Mas ao contrário do que possa parecer, as decepções vieram de mim mesma, de quem eu sou na carne, e de quem eu gosto de me ver como.
Uma mulher emancipada, maior de 30, feminista, independente, boa profissional, magra (prá quem se importa), loira (prá quem se importa), com pós-graduação e muita auto-estima. Alegre, quase, eu diria.
Entretanto, da auto imagem que eu gostaria de ter de mim, esses são os predicativos mais superficiais e que de forma nenhuma fazem jus a quem eu sou, ou pelo menos me esforço obssessivamente por ser.
Uma mulher envelhecendo, doente, cheia de vícios, quase nenhuma virtude, amargurada e constantemente infeliz. Por que, minhas deusas, eu faço isso comigo?
Dentre todos os amores, ou paixonites agudas, que eu vivi neste ano, é sabido a quem interessa que uma delas foi mais oca que as outras. Oca pois foi um grande engano, oca porque me deixou no vazio por alguns meses.
Foi esse sentimento de inutilidade do sentimento sentido que me atirou ladeira abaixo e que me fez ir atrás definitivamente de estar melhor, e de novamente, portanto, procurar ajuda. Depressão não é uma doença da moda. Depressão não é bonito, nem glamuroso, você não fica mais inteligente, muito menos se torna artista completo. Essa doença estranha... parece cisticercose! As feridas mais deteriorantes estão no cérebro, enquanto o início da praga foi em outro órgão. A solitária que habita o porco cresce no intestino, a solitária que habita o homem nasce do fundo do peito.
Eu reli meu blog. Todo. Eu acabei de escrever um post de novo falando de ratos, de novo falando de tristeza. São velhos hábitos. E aí é que está, eu achei o ovo do platelminto antes de devorá-lo novamente!
Eu percebi ao reler os posts anitgos que eu estava no mesmo estado, que o ano circulou e eu haviaa voltado para a sensação de baixa auto-estima, impotência e ansiedade compulsiva. E vi que não tinha porquê. Eu respeito toda a dor que me levou as forças no início do ano, mas eu não posso respeitar a dor de agora. Porque ela não existe, sou eu forjando a mim mesma um sofrimento que me traz mais sofrer. Sou eu criando motivos para ser infeliz.
Não é que o rato da vez não mereça minhas lágrimas. Eu não me arrependo, mas, puxa, eu já sabia que isso aconteceria. Neste caso eu já sabia mesmo. Mas mesmo assim eu resolvi trasnferir a dor da conquista malfada de outrora na dor real do momento vivido. E veja só: conquista. Me envergonho de escrever isso. Mas é. É o gosto da paixão na boca que me move.
Foi tão bom e libertador perceber que eu mesma posso mover as peças de lugar e não dar importância demasiada ao que não é importante. Já estava ficando ridículo. Não que eu ligue, mas o risível é em mim é pior quando eu mesma não posso gargalhar.

canos para os ratos que rondam

eu sou crente, não, não dessas do rabo quente, e creia-me prezado leitor (como boa machadiana), não são os graus celsios do meu cu o alvo dessa impolidez. definitivamente. eu sou crente da pior estirpe. hum... talvez não da pior, porque creio mesmo (como crente que sou) que o pior crente é aquele que não vê. Não vê suas redondas armadilhas para se encaracolar na sua própria cretinisse. Esse, que se disfarça de hipócrita, na tentativa se assim parecer menos torpe do que de fato é. Mas eu sou um serzinho de herança, dessas de família, e assim tenho comigo altos valores que não condizem com minha própria boca podre, ainda que aqui estejam.
não, não, não. o pobre alvo das minhas lamúrias sequer entenderia essas linhas. muito provavelmente valeria-se de um dicionário on line para se questionar sobre o significado da palavra lamúria. coitado.
ou coitada de mim, que como crente acreditei que um serzinho mal vivido daria conta de respeitar outrem. não deu. não conseguiu.
é me  fastioso pensar nos despudores dos interesseiros. como sou crente, nunca penso que estou as vistas de um. não sou santa, quase puta, segundo olhares mais crentes que os meus, mas não me valho de ninguém para obter vantagens. grande vantagem essa minha, a vantagem de ser cretina, de crer em tudo que vê. ou seja, se você acompanhou meu pensamento até agora, chegamos a conclusão que sou o contrário do hipócrita que não se vê como crente. sabe o ateu que teme deus, e não é pecador? sabe o pecador que desfaz do crente se gabando de ser ateu? sim, serzinhos diferentes.
ah, mas, os interesseiros. eles sempre precisam muito de mim, desesperadamente. para o transporte, para o carinho, para satisfazer o impulso. eu acho quase graça nos interesseiros, porque, pobres, eles precisam mais do que a gente que de fato tem precisão. água, comida, fumo, bebida, transporte, xarope... os interesseiros são desvalidos de tudo. nunca possuem, nem possuirão nada, porque precisam mais que os pobres em precisão. como ratos juntam palhas e papéis nos cantos de suas vidas, mas se deixam devorar pela imensidão das tranqueiras que acumulam. sem as ver. sim sim sim, estamos falando do mesmo crente que não quer ver.
 eu acredito piamente, como crente que sou, que os interesseiros são trapaceiros. não é uma rima pobre, acredite. penso em toda trapaça que o interesseiro articula para conseguir seus objetivos. necessidade do rato. o rato quer pão, veja sua carinha suja.
eu só venho aqui para poder chorar sem a precisar de compreensão. sem que ninguém  se sinta na obrigação de entender os meus canos, a minha sujeira. eu só venho aqui para colocar nas linhas a minha solução. e a resolução é finalmente dar os canos nos ratos.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A pior de todas as coisas

De todas as coisas que acontecem o tempo todo, a pior de todas quase não existe. Nada abala os alicerces para que o desgosto se solidifique em todos os segundos da existência. Dramas e tragédias vividos, inspirados e expirados, sabidos ou desconfiados, de tudo que perfura a carne e corta o espírito, nada, absolutamente nada é a pior de todas as coisas.
Meu cachorro está morrendo, isto é um fato. Ele tem 16 anos. Não enxerga, pouco sente dos cheiros que habitam a casa. Ele não escuta, mesmo que gritem seu nome. Todo seu corpinho, muito magro, está calcificado em artroses e artrites. Seus passos são sacríficios; há dor e lágrimas na carinha grisalha. Muitas vezes ao fazer cocô, suas pernas não sustentam a posição requerida e ele cai por cima da caca. Ele tem alergias por toda pele. Nós, os jovens da casa, trabalhamos, e ele se sente só.
Essa é a pior de todas as coisas?
Para o cachorro, para nós que somos sua família. Para viver e morrer temos que pensar a vida. Eu gostaria muito de saber o que o Pingo prefere. Se ele me pedisse: Querida amiga, compartilhamos tantos bons momentos juntos, vc poderia, por favor, me ajudar a ir embora? Eu ajudaria. Eu daria comprimidos para ele partir leve. Eu escrevo e choro, porque a morte nunca é uma felicidade. Ninguém quer que alguém querido parta, porque quem parte é quem fica, fica ao meio, meio que um pedaço de si que outrora circundava as mesas e camas, e agora não está mais.
Todos vivemos a morte cotidianamente. Pessoas morreram em meus braços, nas minhas vistas. Nunca mais abraço, nunca mais carinho. Mas na mémória elas vivem, fazem visitas em sonhos, aparecem em fotos, escorrem em lágrimas de natal.
Mas a pior de todas as coisas são aquelas pessoas que morrem no peito, para sempre, por toda vida.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

TROCA DE DESENHOS NA DISORDER

Eu ontem fui à feira, fazer umas comprinhas. Confesso não gostei do preço dabrobrinha!
Troca de desenhos é muito legal. Peguei coisas bacanas, fiquei feliz, feliz. Muitos dos desenhos que estavam aqui, agora estão na casa de alguém, passeannnndo. Desenhos com pernas, hehehe... E aí, descobri que tenho tannnnnnnto desenho e quase não coloco aqui. Mas isso vai mudar porque o desenho tem que caminhar.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011