segunda-feira, 12 de setembro de 2011

com um salto furei a tela

acordei e senti aquela vertigem mais uma vez. desde abril eu criei uma nova pessoa. desde uma terça-feira em que quase morri e decidi, optei, circulei nos classsificados dos jornais, pichei nos muros, tatuei na pele: não matarás. desde aquele dia terrível, desde aquela noite absurda em que vômito corria sobre as cabeças, telas foram para o lixo, as frases escorreram da boca suja da rua... desde aquele instante eu infartei e voltei. eu decidi que os seus mortos não me perseguiriam mais. eu afastei as lembranças que copiei da sua memória. eu te exclui do meu umbigo. eu cuspi teu semem, eu me fodi.
e assim eu me fiz fenix novamente. viajei, criei, me libertei. tive a sensação de que assim você também ficou livre. com um salto furei a tela. rasguei um espaço prá viver. prá mim. prá ontem. prá porra nenhuma. prá cantar bem alto no carro sem tem que pagar pedágio prá miséria que você me deu.
e assim eu fui feliz para sempre. descobri mudanças importantes no meu gosto, como o café amargo com bolinho, a tinta magenta, as infinitas aguadas bebedas no fim da manhã, e os saltos. com um salto furei a tela. criei espaço. stepped you out.
agora mais uma vez chegam mensagens de você. de que nesta terça-feira você morreu também. procurou deuses, sentiu dor.
em alguns momentos eu tenho pena, em outros ódio, mas não sou indiferente, seguramente não sou.
I´ve stepped you out 4 ever. prá sempre.

4 comentários:

  1. O bom dessa vida é que só se morre uma vez, mas se renasce em inúmeras.

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  2. Se morre mais, Tyara, e às vezes demora a renascer, ou não renasce.
    Mas da buceta! Foto e texto.

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  3. A gente vê quanto gostou de um texto quando pensa: esse eu gostaria de ter escrito.

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  4. Ou quando pensa: por mais que eu tente, eu nunca conseguiria escrever assim.

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